De uns tempos pra cá,
eu tenho andado meio preocupado.
Sempre que eu volto pro meu bairro,
me sinto atordoado.
O medo de sair de casa continua a me afligir,
O medo de botar o nariz pra fora e o medo de sair
O medo de sair na rua e levar um tiro na nuca
O medo de sair na rua e levar um tiro na nuca
De uma bala perdida que me pega quando eu to voltando pra casa, ou,
quando eu tiver dentro do ônibus, qualquer bandido me ataca
Eu não sei mais onde me esconder nessa perseguição,
Mas eu sei que é uma merda a minha situação
E agora ?
O que eu vou fazer ?
Se um dia eu chegar em casa e a minha família morrer
Se um dia eu chegar em casa e ninguém sobreviver
Ao ataque e ao massacre, ao ataque e ao massacre
E a chacina que vai ocorrer, na minha casa, vão me atacar
E pode ser até fobia , mas não da pra controlar
E a polícia não faz nada pela nossa situação
Pela nossa situação,
Pela nossa situação,
Pela nossa situação,
que é uma merda, uma merda meu irmão.
Outro dia, dois no meu bairro, foram pro saco
E a minha vizinha se mudou e não sabe quando vai voltar
Pra esse inferno que se chama lar
Pra esse inferno que se chama lar
Notas
"Merda de Situação" é a música mais porra-louca que eu já compus. Não tinha preparado nada. Não havia sequer composto uma letra. Ela nasceu sem querer, numa tarde em que eu estava ocioso e a fim de gravar alguma coisa. Na época eu tinha comprado um violão folk e sempre gravava cover de alguns artistas, como Barão Vermelho, Lobão, etc. Eu não sabia o que gravar, só sabia que eu não queria gravar mais covers. Havia pouco tempo eu tinha sido dispensado do exército. A letra foi saindo na hora da gravação a medida que eu ia cantando (sem nenhuma noção exata sobre o que eu cantava tb, essa é a verdade), eu fui fazendo power chords no violão mesmo e a batida/levada puxavam para um rock'n'roll. Depois eu percebi que era a mesma batida de violão que eu usei quando compus "Mais uma vez" naquele mesmo ano.
Quando percebi o grau de tensão entre os acordes (C#5, A#5, F#5) nessa cadência, percebi que a letra que ia saindo sem querer, falava também sobre medo e foi o casamento perfeito.
Acabou virando uma música de protesto a la "Brasil", mas dessa vez com o enfoque na violência que ocorre nas grandes metrópoles e nas regiões ao redor, principalemtne nas favelas e áreas habitadas pela população mais carente. A música fala de um personagem que vive numa região violenta e tem que conviver com essa rotina assustadora todos os dias , e, que (de forma velada) a corrupção e incompetência da polícia, leva os cidadãos a viver em meio a tiroteios, guerra entre gangues rivais e ameaças à própria segurança todos os dias. A letra original contava com um monte de erros de português e de concordância verbal,que depois, numa versão mais trabalhada da música resolvi consertar. Ainda assim, muitos erros ainda constam na letra, mas resolvi manter justamente para dar mais "realismo" à situação.
Essa música, assim como Brasil, mergulha numa questão específica dos problemas sociais do Brasil. É uma crítica. Uma aproximação com o 'mundo marginal'.O primeiro solo dessa música sempre foi exatamente desse jeito. Nunca improvisei sobre ele. Os outros dois são improvisos.
Houve pedidos pra tirar o palavrão da música. Mas nem por uma questão comercial , (pra por essa música num disco, por ex) eu retiraria. O palavrão é a expressão maior da insatisfação do personagem da música com a situação que lhe cerca. É justamente nesse momento que ele desabafa mais claramente sobre os riscos de vida que corre.Tirar o palavrão não faria o menor sentido.
Sobre a gravação: Eu compus essa música em 2001. Na gravação adaptei a bateria para o ritmo da batida no violão, que como falei, é a mesma batida da música "Mais Uma Vez". Só copiei a bateria principal e Khalil me ajudou a criar uma bateria complementar que ajudasse a criar um clima de tensão ainda maior na música . O trabalho dele ficou primoroso como vocês podem perceber ouvindo a música. A guitarra base gravei com o Guitar Rig. Na guitarra solo usei também o Guitar Rig, porém, acionei uma opção de "auto-wah" durante os solos. Dupliquei a base para dar peso à música. Já que o método de gravar 500 camadas na música "Mais uma vez" não tinha dado certo como eu pensei que daria, dessa vez, resolvi gravar a base normal , como era no violão e depois grava-la novamente do mesmo jeito, uma oitva abaixo. Isso fez toda a diferença na hora de acrescentar peso à música.
Amor da minha vida
Daqui até a eternidade
Nossos destinos
Foram traçados na maternidade
Paixão cruel desenfreada
Te trago mil rosas roubadas
Pra desculpar minhas mentiras
Minhas cagadas
Exagerado
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado
Eu nunca mais vou respirar
Se você não me notar
Eu posso até morrer de fome
Se você não me amar
E por você eu largo tudo
Vou mendigar, roubar, matar
Até nas coisas mais banais
Prá mim é tudo ou nunca mais
Exagerado
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado
E por você eu largo tudo
Carreira, dinheiro, canudo
Até nas coisas mais banais
Prá mim é tudo ou nunca mais
Exagerado
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado
Jogado aos teus pés
Com mil rosas roubadas
Exagerado
Eu adoro um amor inventado
Notas
Eu peguei a base pronta na net, só excluí a linha da guitarra e da melodia e gravei a voz e a guitarra, obviamente. Transformei a bateria e o baixo do midi em instrumentos virtuais. Há um tempo eu vinha querendo gravar um cover popular pra aumentar as minhas visualizações no letras.mus.br e no cifraclub. Quando gravei "Menina te amo tanto" pro projeto da Gosma Metálica, as visualizações aumentaram significativamente na net. Enquanto eu não assino com uma gravadora vou seguindo essa estratégia
Eu alterei um pouco a letra, uma pequena licença poética, e ao invés de "minhas mancadas", alterei para "minhas cagadas". Na questão léxica não muda muita coisa , uma vez que estou dizendo a mesma coisa com outras palavras. Talvez irrite um pouco os puritanos, mas esses na boa, fodam-se, eu sempre fui politicamente incorreto e não vou mudar pra agradar quem sequer paga as minhas contas ;D.
Até o Frejat canta essa letra alterada, ao invés de "por você eu largo tudo", faz uma versão mais piegas e canta "por você eu FAÇO tudo" - realmente pro marketing dele talvez seja melhor pagar de bonzinho, deve aumentar as vendas, principalmente pras tiazonas que não conseguem um macho e se masturbam pensando nele. Enfim ... é isso. A gravação ficou aquem do que eu esperava na verdade , mas , tava de saco cheio de mexer nessa música e lancei assim mesmo. O importante é que minhas músicas autorais fiquem bem gravadas. Não to dando muita bola pros covers não.
Mais uma vez você vai chegar atrasado
E você vai perder a hora no trabalho
Mais uma vez quando você chegar em casa
Com certeza a comida já vai estar gelada
E as ratazanas irão boiar na sua privada
sem que você possa reclamar de nada
Mais uma vez esqueceu que não tem empregada
Mais uma vez você não consegue se lembrar de nada
E mesmo quando a vida pareceu lhe dar uma chance
Você não perdeu a chance de ser um ignorante
E mesmo quando o sol pareceu brilhar pra você
Você pareceu não entender
Mais uma vez você vai tropeçar na escada
Talvez perca o dedo, tamanha a dor da topada
E mais uma vez você não entende nada
E mais uma vez todos riem de você
Que continua sem entender o porquê
mais uma vez, essas coisas acontecem com você
Mais uma vez esqueceu não é inteligente,
Mais uma vez pensou que fosse gente
E mesmo quando a vida pareceu lhe dar uma chance
Você não perdeu a chance de ser um ignorante
E mesmo quando o sol pareceu brilhar pra você
Você pareceu não entender
Notas
Segundo o meu chordbook, compilado em 2006, eu havia composto um reggae.
A harmonia era a mesma mas a batida e a letra eram outras.
Eu mostrei ao Andrey (pelo telefone) e ele achou uma merda, e segundo consta no chordbook , me disse que não tinha problema porque eu não era um compositor desse estilo musical.
Eu compus essa música em 2001 e o ano não só pra mim, que tava curando um ressaca amorosa na época de uma história de amor frustrada, fora que tava sendo chamado pra me alistar no exército, atentado de 11 de Setembro, etc... enfim tava sendo um ano tenso. Não só pra mim como tb pros EUA e pro resto do mundo... nenhuma das 3 músicas que eu compus nesse ano foram das "melhores" no sentido de mensagem, sendo que uma delas teve até inspiração de Legião Urbana, que de fato, foi uma banda da qual eu nunca gostei muito. Não desmereço os méritos de Renato Russo enquanto letrista e de toda sua trupe mas me identifico muito mais com o som e a letra de Cazuza, Barão Vermelho, Lulu Santos e etc...
Bom perdi o foco... O fato é que a letra está longe de ser das melhores que eu compus, mas, tendo em vista a recepção que a música original (o reggae) havia tido , resolvi fazer outra letra a partir do zero e ao invés da letra ser uma letra questionadora ela é um hino em homenagem às pessoas menos providas de atenção/sorte/inteligência... etc... a mensagem é direta mas não é direcionada a ninguém específico (até porque quem costuma fazer isso em suas músicas é o senhor Axl Rose, sempre dando indiretinha pra alguém nas entrelinhas).
Lendo o chordbook lembrei que a principal influência (em termos de letra) é a música "Down em mim" do Barão Vermelho muito embora uma letra não tenha nada a ver com a outra. Lembro que depois de mostrar a música novamente ao Andrey ele comentou que o nível de "acidez" da letra remetia às músicas do Cazuza.
Falando da música: Depois que remodelei ela e mantive apenas a harmonia sempre pensei nela como uma música de rock com a guitarra bem distorcida e a bateria arrebentando.Pois bem, quando fui fazer o arranjo, consegui caprichar na base da guitarra e a gravei umas 4 ou 5x , sendo cada uma com uma característica diferente. Numa o pedal estava com os agudos bem abertos, na outra estava com eles fechado, numa outra configuração usei o pedal nas configurações mínimas pra ficar com o som mais crunch e poder alternar acordes maiores e menores com os power chords que eu havia gravado nos overdubs de guitarra anteriores. Usei um pedal clássico da Boss pra gravar a maioria das bases: o METALZONE (BOSS MT-2).
Quando eu fui escrever o refrão , pensei em quebrar a bateria e dar mais movimento ao baixo e fazer uma guitarra base mais limpa no contratempo, o que de fato faria uma menção de leve ao reggae ou ao ska (pelo andamento da música: 165 bpm)mas vi que ficou uma merda sem tamanho e resolvi então apenas modificar a base da guitarra e dar movimento ao baixo mantendo a bateria fazendo o mesmo ritmo dos versos. Ficou melhor do que a tentativa de criar um reggae no refrão. Acho que é só.